Trilogia do espírito II

Joseph Merrick Skeleton - The Elephant Man.

 

 II.

 

ESCRIT@S BIÓTIC@S:
uma PATAPHORA da GÊNESE e da ALTERIDADE
ou SI EM AUTOPOESE DA DIFERENÇA-IDENTIDADE

(março 2008 – abril 2009)

 

 

 

 

Einsam todmacht mensch

 

 
“tem um cara se matando na minha frente”

(M. Maccaferri)

 

 

Ele acreditou sabendo que iria morrer.

 

 

 

 

 

*   *   *

 

 
A solidão do fazer mortal do ser humano. Não há, deveras, um refúgio de si mesmo. Para onde quer que fujas, <tu> estarás no <seu> encalço. Perdoe-nos o trocadilho, mas como acompanhar o pensamento tão somente na imagem que se o acerca? Há um sátiro ou de uma “fé cigana” que encanta o engano: ir ao fim, caminhar para um fim e somente dissolver-se com o fim. A esperança de um começo ou mesmo do novo jaz na inconsistência do indefinido ou que indefini-se pelo <caminho>, tão é qual o seu lugar. Resiste-se, deste então, ante o desejo de querer saber o que há depois; caso contrário, o que poderá começar e em quantos encontros a mais será preciso para o Nada?

 

 

 

 

 

 

 

vida, e cor; visão; escuridão; iluminação; o rapto; o passo e a perda; razão e procura; a fuga; estrangeiro; o método ou da existência; desorganização; desilusão; dissolução ou desintegração; desumanização; o assassinato; “substância amorfa”; a forma; “toda compreensão súbita é finalmente a revelação de uma aguda incompreensão”; irrazão ou o rito (vida e morte); a ignorância; esquecimento; a doação; invenção; um sono ou de “um paraíso que não quero”; ausência; risco; “mas é que a verdade nunca me fez sentido”; a poética da sensação, a estética do afeto; de medo, coragem e impotência; ressureição “falarei nessa linguagem sonâmbula que se estivesse desperta não seria linguagem”; silêncio; alucinação “se eu olhar a escuridão com uma lente, verei mais que a escuridão?”; convicção, disposição; o horror e o dever do crime, inssurreição; “a glória dura de estar viva é o horror”; a força ou o fluxo; identidade, morte; a luz, e vida

 

(ínfimos tempos, infinitos instantes, imagens do não-ser… –
tal qual a história, um mito ou um canto de um povo, de uma terra imaginária, de um porvir para onde não há?)
*~-*~-
O <frescor> da derrota e o <perder> da memória.

 

 

 

 

 

 

O escritor, o histrião e seu humor e sua ironia: superfícies improfundidas abrem-se em meio a rigidez da superfície escritural bufônica, do autor de ficção de suas realidades.

 

 

 

 

 

 
*~-*~-
O que é perder algo?
Do que se há algo há ganhar, senão, o movimento diferente ao que não se pensa?
A certeza desesperadora de que nisso tudo poderemos “encontrar”, “buscar”, ou mesmo, e apenas, fazer o que entendemos por ser um ser humano em transformação o próprio idêntico ao nada… um monstro a si em vida.

– nossa, acabei de acordar de novo… e que aventura… estava possuído numa viagem com Mariachis… eles vinham dos fervorosos, mudando de personalidades conforme a letra da música se desenrolava nos diversos focos para lembrar o narrar de uma história sobre a memória que na hora me havia esquecido com quem a cantava…

– es loco hombre… buenos dias…
*~-*~-
Símbolos da quantificação divina: <quantuns> de uma sabedoria vaga e traiçoeira.
*~-*~-

E agora digo que meu pai trabalhou nos salvos, divisores e divisões, nas repartições e vistórias das compras e gastos, para o dinheiro, única e exclusivamente, no trabalho do dinheiro dos outros pela liberdade filial, na conquista do seu próprio libélo. Por outro lado, as contas não param de chegar. O rombo é sempre pego desprevenido. Paga duas vezes o mesmo. Entraga-se nos louvores da conquista a nas lamúrias do desperdício. Engole seco o pão amanhecido para saber o que o Diabo realmente amassou e gostou. Um medo paira leve nas digressões sobre o que vale e o que não se pode atribuir um valor que seja tardio. Somos, de fato, um plano do Gasto: não seria o caso de proteger a própria lira e entregar o asco pelo contingente gástrico?
*~-*~-
Enquanto isso, os jovens, com dinheiro ou não, são em maioria crescente contra a legalização da maconha. Contudo, são vistos como a geração do conhecimento, fumam mais crack na adolescência e consomem demasiadamente sem compromisso os produtos oferecidos nas vitrines.

*~-*~-

O orgulho deve ser a forma de mais baixa intensidade para se defender sentimentos tristes, sobre o sofrer passivo, a garantir uma sensação destes afetos a reativa forma de concebê-los, isto é, um pré-conceito é determinado para a constituição de uma percepção sobre tal sofrer. Nisso se cria uma geografia privada da subjetividade, onde os proprietários são idéias compondo uma ideologia da retenção do “páthos” e de sua possibilidade de qualidade variante. Algo como o bem ou o bom. Possuir o orgulho de algo, valorizar, criar páthos da valoração sobre si mesmo, envaidecendo-se de um sofrimento a se tornar algo de “intocável”, ideal demais para o que ainda poderá se passar. Pelo contrário, parece-me reverter – e, todavia, este já é o verbo enquanto uma reação dessas valoração – é como se negligenciassemos o que sentimos apenas para manter-nos, de forma uma forma lamentavelmente capenga, numa hipotética ascepcia de “não” podemos ser mais “nós mesmos”… Vulgarmente, consto como uma espécie ou modalidade de apego inútil a algo que não se sustenta apenas com uma inércia de sua imaginação…

*~-*~-

Quem negligencia quem, com a ausência voluntária do outro? Qual é o castigo do silêncio quando ambos, numa relação, não sabem mais se comunicar? A inversão da pós-modernidade sobre o conceito da transvaloração – da grande saúde ao depressivismo:
a arte de tornar a esperança em desgosto.

 

 

 

 
*~-*~-

Eu recebo as “ligações” de todos, menos “as” dela.

*~-*~-

Não perecer. Eis que a trapaça, os pesares e os resígneos são dotados da extravagância de proporem um estádio de ânimo que beira a indignação: falseamos nossos mais íntimos desejos para que estes, os verdadeiros intentos do imprevisível, sustentem os juízos de um desvairado no encalço da Direção…

*~-*~-

 

 

 

 

Poderia a chuva nunca mais parar de cair. E agora penso em como a escrita deve ser para o escritor. Não entendo por óbitos os pois, já que começara tardiamente, e procurei, logo de partida, o cortejar dos enleios em meus pensamentos enquanto a ouvia estremecer e jorrar um manto a fundo, sensações sem sentido. Ainda era preciso mais que crueldade. A percepção do tempo, de uma duração perdida fazia a memória, delírio de não existir nele, uma identidade nessa mesma “perdição”. Os dados não poderiam mentir – repetiram-se em pares, 3-3, 2-2 e 3-3. Não pode ver nos encontros a comunicação com os outros, a vagar no intenso o consigo, o ambíguo, o equívoco, por livrar-se do fardo da insistência do ser. Elevei, persegui, repiti-me também no equilíbrio <infacto>, as infâmes ações de desejos que arrombavam a si para fora do <intacto>, e foi devido as estas razões que encontrei no entendimento por volta de meus vícios, o que inventei pelos <factos>, nas relações com o anonimato de <quem> poderia os sofrer, sempre derivando de minhas ficções, sentidos necessários de “cada” ato que não mais era um símbolo de mim mesmo; não obstante, meus demônios (a toar o sofrer. Possessão de um não-lugar-comum).
Pensando na chuva, ando por ela como se nunca mais fosse parar de cair.
*~-*~-
escritas, escritos – os modos e as formas do conteúdo inexistente para um expressar vazio. Eis a inversão, ou o inverso, o mundo criado, potência virtual do atual. Uma (in)produção das idéias: com que força imprimiria-se um rasgo no sentido para atingir seus órgãos mais profundos?

 

*~-*~-

Desapoderar-se de si. O que apenas três gerações de indigência espiritual pode acarretar para a memória vital e a herança viral de seus sonhos passados de geração em geração? Entes espirituais fabricados por valores não-vivos, dinheiro que não faz o que um milésimo da instância do espírito arrebenta com nosso coração. Extasiados pela inércia e organificação de nossas menbranas virtuais do disassociamento, a se manterem vivos e ao menos, acuados no prazer de se sentirem donos de seu mundo por apenas repetirem a plastificação da vida, a continuarem a fazer de si, uma doutrina de perpetuação de vícios e fraquezas a seus filhos, que não prestam nem mais para se fazerem alguém na vida, e a sacrificarem em sua infância e juventude, numa trilha sem rumos de seus vícios e virtudes pela medida do que vale menos e do que importa cada vez mais na efêmera vontade de viver, toda a ínfima potência de se encontrarem em pela liberdade consigo mesmos.
*~-*~-

 

 

 

 

 

retardado fastídio. foi em meio a solidão da multitude, o andar submersso das figuras, reaprendo a calar-me, a dizer somente o que não digo: resmungo…. e ao abrir a boca sem dizer-me, um mosquito engolido.

Desenho o profundo com a destreza de um nadador sem pernas nem braços em meio a um naufrágio. Tal imagem, cruel, simática ao sofedor, é por onde faço a alteridade como a certeza de um conhecimento enquanto o espírito do devir inscrito e circunscrito: é por aquelas superfícies circunferenciais afundando no raso sentido, que desdenho junto as fatalidades do desígneo.

 

 

 

 

*~-*~-
Como tornar fracasso (de conhecimento do real) um ensinamento? Pára-se a reflexão. É logico que numa vida teremos, em condições muito precárias, que sobreviver e para tanto teremos que também trabalhar para alcançar a estabilidade ou o equilibrio para enfrentar as horas difíceis que todos nós temos. Este equlíbrio nada mais é que acentuar a tensão dos contrários, dar evidências ao que se contradiz e nos confundem. Então será a vez de ver que nem sempre a reflexão, de preferencial a dialética, não seja tão somente ao pé da letra um reflexo do acontecido, o desdobrar-se da cópia em outras cópias. Um exemplo científico: olha-se pela janela, mas haverá mesmo dentro e fora? – E se dentro estiver iluminado, na escuridão do fora um reflexo nosso se produzira como visão do real – resguardando a sua propria sobrevivência?…
*~-*~-

 

 

 

Cenóbico Eremitério: a solidão da morte é o ato de maior comunhão no menor instante possível de paixão em vida.
*~-*~-

 

Não sei até que ponto um niilismo exacerbado pode ser manifestado enquanto uma proteção, uma certa preguiça ou mesmo receio de ser dilacerado pelas suas próprias aspirações, tendencias as crenças e seus preceitos. No entanto, ser reduzido em suas possibilidades do que pensar e sobre que condições exercitar os raciocínios do impossível, não nos entregará a uma situação de desespero ainda maior – as lamentações contínuas de um descrente, a incredulidade assim como o assepticismo formado pelos diferentes silogismos que atestam a divinidade de nossa solidão danada, embrenhamonos em questionamentos sem volta: por que ao homem é preciso assumir o fardo de viver sem sentido e jurar a Deus todos os seus desgostos em relação a uma estética da natureza.

 

 

*~-*~-
Qual a possibilidade de uma ética que não acene ao totalitarismo?, diria um velho palhaço em performance num teatro.

 

*~-*~-

 

Do talento:

– uma doutrina do fascismo subjetivo? daqueles que procriam o “obscurantismo” da prática e da dedicação
– talentosos são aqueles contra a educação.
– ha!, talvez sejam estes que se dizem tão talentosos que denúnciam a ausência de talento em si mesmos como uma afirmação de seu poder, e não fazem dessa afirmação como uma busca de alguém inferior em seus feitos do que a ele mesmo.

 

*~-*~-
A palavra de ordem, o medo da relação.
(antecipa-se afetos, metafora visões, lacuniza-se o desejo pois já o atém a um caminho que não se poderá esquecer até que aconteça…).

Está-se por criar uma “arte do eclipsamento”.

 

 

*~-*~-
A fantasia do gozar – a excitação limite do corpo, uma imanência de extravazamento e torpor, compete-se a confabulação praticada medianta uma transcendência da forma pela percepção – em outras palavras, o ato de gozar, tomado como particular (uma pessoa goza, independente de outra), pretende ser uma êxtase místico autoinduzido para transcender a forma através do desejo de uma outra (a qual ele gostaria de ter, ser, comer, tornar-se com).
*~-*~-

 

Madrugada, 29 de agosto, sexta-feira. Deitado em minha cama, no silêncio da leitura do sono, uma mosca zunindo no meu quarto. Estava encantada pela luminária que repousava em minha cabeceira. Importunado por seu zunido, tasquei-lhe o veneno em doses, a ver seu vôo em disparate para todos os lados. Senti minha mão formigar e apenas esperei que ela caisse de barriga para cima ao chão. Acordei <achando ser> tudo um sonho.

 

*~-*~-
(…)

A arquitetura de uma tragédia se dá como a ousadia do homem se fazendo lembrar enquanto uma calamidade.

 

 

*~-*~-

 

 

Nota sobre a percepção:
quando recostados ou colocados de encontro a um objeto que deforma nosso contorno ou postura habitual, ao livrar-nos dele, sentimos o local da deformação mais intensamente, como que modificado: “parece” que estamos ainda deformados.
*~-*~-
A imagem queima o olho: faz nos ver coisas aonde só se via fumaça.
*~-*~-
Porque resistimos tanto as mudanças de atitude e de postura, às realizações de atos diferentes e ao cultivo de potências variadas? Esta resistência deriva de onde? De nosso medo de nos perder e não nos reconhcer?

Pela falta de uma identidade nos apegamos a qualquer personalidade?

 

 

 

 

* * * *
De factum: (Ele não tinha tamanha elasticidade. Foi só quebrando os ossos que conseguiu tal abertura.)

Passara por ele e esperava, por certo, a mesma reação que não veio. Me olhou de volta, desejou boa noite. Gracejei com a mão e retribui cordialmente. Seu sorriso fora breve, mas ao contrário de outrora, nunca o havia visto tão sincero, tão presente. Me pareceu que estava melhor do que nunca. Apagava um cigarro com os pés na rua, bem na hora em que a atravesávamos, cada um para seu lado, se cruzando no início da noite. Não me lembro de que houvera um contato de forma tão espontânea como esta. – O corpo que cai ressoa até ao silêncio -. Pedira uma morte sem pudor, com coragem, precipitou-se nem por um instante. Foi e fez, era a vez. Havia, de uma hora para outra, se libertado de suas amarras? Nada mais o impediria. Os pais e sua educação judaica, o corriqueiro estrangeirismo imaculado dos que migram e migram, sem parar. O irmão bem sucedido, os passeios sozinhos e calado, a falta de emprego, a triste notícia de que era mais um incapaz. O era? O torpor das medicações, olhando para o fundo do chão, não mais. Foi como num desejo que se pede e é realizado, sem esforço: digo, minto, o esforço foi descomunal, mas tantos que nem ouviram ou ignoravam seu grito. O ignoraram pela última vez. Era enfim, o que o esperava, do cansaço e do comum descaso. Conseguira ter as ganas suficientes de tal modo que ninguém suspeitara – outra pessoa havia se suicidado algumas horas antes a dois quarteirões de distância.

Nunca tive a coragem que teve. Disse que coisas o incomodava, que não conseguia arrumar emprego, mas sabia trabalhar. Nunca havia lhe dirigido um olhar direto nos olhos. Suas mãos também me eram desconhecidas. Uma vez perdiu que eu lhe concedesse a passagem por meu apartamento já que o elevador estava com defeito, ele temendo que algo de pior pudesse acontecer. De fato, sempre achei algo estranho, mas não queria desistir de tentar me relacionar. Nem sabia seu nome. Era Roberto.

(após a queda, retiraram o trepador e os gira-gira do parquinho.)
* * * *

 

 

 

 

 

 

 

O indito? Temo dizer que não me passa pela cabeça combinar algo com você e lhe dar um perdido. No entanto, tudo pode acontecer. Já que você mesma já fez questão de me deixar falando sozinho…
Isso é que é força de vontade: dizer que ama e, ao mesmo tempo, dizer que não consegue amar…

Pensas que é só você precisa de ajuda? não sabe receber e dar? receber e merecer o recebido. dar e fortificar-se com o dado. saber honrar o acontecimento e perceber que a honra não é orgulho, mas sim, o sentimento de que preparou-se para o ocorrido e fez o melhor que pode, reconhecendo-se atento para o próximo desafio.
*~-*~-

 

 

Quando percebo o que escrevo, quando me inscrevo nessa inscrita? O ato tornado signo no imediato da escrita, não há o diálogo, mas o espelho, o reflexo. Sente-se o que se esconde mas lê apenas o revelado. Mas, em qual destes planos estará contido o desafortunado momento da revelia de uma farsa?

 

 

O errar da linguagem é olhar para a alma.
Erra-se dizendo e não dizendo nada, a verdade ou a mentira O que vale é apenas o acontecimento da dobra, a esquizofrenia da expressão de não-ser o que se está sendo. O todo, farsa do indivíduo, escapa ao fluxo do inescapável (para uma leitura semiótica do acontecimento).

 

 

 

 

 

labrynth ogoun2 alchemic salt

 

 

 

 

O exagero é depreciado e cultuado.

 
Mensagens de auto-ajuda, nos alertando sobre o tempo que estamos perdendo ao correr atrás dele…
Muitas vezes pensamos que ao determinar as (formas de) relações damos conta do acontecimento do encontro imprevisto.
O ato linguístico da promessa nos faz afastar de nossa decisão, empurrando toda nossa força para além de nós e investindo no outro. Numa sociedade onde se esquece o dito e o desdito a todo momento, a promessa é só mais uma forma de fugir da força do ato no exato momento de sua realização.

 

 

 

 

“La música sólo existe mientras dura la audición, como Dios mientras dura el éxtasis. El arte supremo y el ser supremo poseen en común el hecho de depender totalmente de nosotros.” (Cioran, “Ese Maldito Yo”).

 

 

 

 

Não há o projeto de si. A projeção por si só, já é a extensão do objeto, a abstração do instante numa imagem e logo no objeto projetado. O desejo de que tal objeto projetado seja tão fiel ao que se realizará, empenha-se nesta imagem como a possuidora de todo o lógos de si enquanto delírio para a atualização.
Hábito como moral – Todos os sentimentos em execesso que perduram numa lógica do raciocínio, são paixões/afetos que ditam as imagens do porvir, traem-te, trazendo o pior de si.

 

 

 

 

 

Haverá um ressentimento que não vem do exterior para provocar uma reação alheia ao interior, mas que seja inerente à própria idealização/valoração de interior, a qual possa ter sido sedimentada pelas constantes insistências do exterior em determinar suas valorações? Identificar constantemente essa idealização de interior, sua projeção e resquícios, suas projeções e delimitações de gosto e vontade – o Eu – , ou mesmo aprimorar essa dialética de exterior/interior para afirmar o valor de sua ação, não seria, de forma mais precisa com relação a fraqueza do páthos captado, o primeiro sintoma dessa espécie de ressentimento primordial, ou reatividade natural das forças em relação a sua duração na manutenção de uma potência que quer exigir sua existência? Isto também não seria uma forma de exteriorizar a si mesmo, trtando de formatar a subjetividade através de um “eu” que é um “outro” e por isso mesmo “eu não consigo lidar com ele”… Fraqueza espiritual, moral dos fracos. Não consegue-se lidar com seus próprios mosntros, com sua consciência que <obscurece tudo aquilo que ela não consegue ver>…
Há nisso tudo um velho mal através do desejo nefasto de vida: se não da mesma maneira, ao menos desejamos existir para sempre…
A dívida como preceito moral, bem como um ideal de dever acima da aptidão para valorizar a vida, cobra o direito dela. Ao perdermos o controle do desejo, ao investirmos cada vez mais em nosso desejo sem nos prepararmos com os gastos propiciados, nos individaremos existencialmente com os outros, que deterão a fonte de nosso prazer, o que nos torna presa fácil ao desejo tirânico e sedento dos outros. Mais um círculo-vicioso, que parece substituir a circunferência divina da literatura. Na dúvida de quem sobrevive quando o bicho pega, os credores saberão a quem matar para se salvar. Mas adiantará?

 

 

 

 

 

A filosofia de Nietzsche poderia ser dita sendo <sobre a Lacuna>, assim como <sendo feita delas>.

 

 

 

 

 

A rima entre os sons das palavras é a analogia entre a música e a imagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

Após tempos e tempos de conflito sem trégua e de brutal violência, a palavra (o lógos, o acordo) instituiu um novo tipo de combate: o combate aberto, a amizade, onde partícipes estavam atuando sob o mesmo aspecto, solidários a mesma causa, entre aliados e parentes, para manterem-se na mesma vida.
Ó, forças, que nos fazem amar aquilo que insiste em nossa destruição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que cala e o que faz falar?
(a busca da precisão de uma expressão)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em que medida o que ocorreu historicamente na Idade Média e início da Modernidade, com os avanços do acumulo de riquezas e da produção de sistemas sociais para a afirmação destes mesmos sistemas (o papel da ciência enquanto desveladora dos sistemas naturais e mimetizando-os em prol da humanidade), foi propício para a constituição do capitalismo?

O que nos fascinou?

A anestesia do sentido – sentir apenas passivamente (a redundância estética do capital) – a produção em massa de um desejo monobloco: consome aquilo mesmo que cada vez produz em demasia. O vício da produção.

 

 
– É, pode ser. Eu sou o cara mesmo, não duvido do que você diz. Além do mais, eu tô dizendo isto agora para todo mundo e isso me torna invencível! E é melhor aproveitarem o meu delíro agora e me matarem!

 
autosacrifício: afirmar o outra-idade em si.

 

 

 

 

 

a política da resignação: conceber um signo poético oposto àquele estabelecido pela frenética historicidade do registro memorial.

 

 

 

 
inventar uma vida não é criar ou falar sobre uma vida que não existe, mas preparar o tempo, conceber mesmo um tempo sem fim, para que ela esteja sempre em devir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

um aforismo romântico:

“Now I’m thinkin’ who’s house is this?
This is my money, this is my pain, these are my drugs
This is my brain, and it’s never gonna be the same”

 

 

 

 

Me parece que toda uma escritura, ora voltada para a inventividade, ora voltada para a desordem, foi para diagnosticar todo o funcionamento de um distúrbio afectivo provocado pela constituição de um corpo através de uma projeção do desejo feita por abstrações, idealismos e fobias. Desenvolver a doença, ou antes, investir nestas potências que ensejam tal distúrbio pode ser, por algum tempo, uma forma de se familiarizar-se com o próprio processo de auto-tiranização. Isto é, promove-se a doença para dessubjetivar-se, sair da condição “sujeito enfermo”, dos meios próprios que nos são dados para mantermos numa normalidade animalizante (isto é, numa repetição ou manutenção da própria doença), destacando, assim, a potência que esta voltando-se contra si mesma. No entanto, é a partir destes movimentos perturbadores que passamos a investir neles que descobrimos e também passamos a atuar exatamente aonde a doença, antes, escondia toda uma potência de saúde.

 

 

 

 

Foi após alguns anos de esgueirar minha visão pela janela de minha casa, olho para o abismo que se precipita de meu quarto com uma menor vertigem. Diriam outros, que ela até não mais me aflinge. Não reclamo da perca desta sensibilidade. Posso sentir, com um certo receio, já que com espanto me deparei algumas vezes com a lembrança de tal sensação invadora, uma espécie de amizade nesses encontros, uma adaptação do meu sentir com o espaço, com o tempo que se em mim e no mundo ao passdo de um pensar que abraça todos os multiplos espaços que se sucedem. Miro um instante e neste dado momento, recebo um outro lugar: não porque seja diferente, mas porque se tornou um pouco mais abatido, um tanto mais que me adentro nele como que em dispersão. Esquece-se de tudo, até mesmo da queda. Pois é lá também que, desapercebido, encontro não o encontro com o momento, com o lugar, mas com um vôo: plaino sobre o nada. Sou eu, no mesmo lugar de sempre, não querendo ser nada. É uma relação de empatia que espreita nos momentos de encontro uma forma de chegar por um outro lado, perceber um outro canto, detalhe ou entonação da imagem, dando jeitos de casa, memória que se envereda logo após o despistar, e com outro olhar, vai falar da imagem como parte, presente. Me entrego: ao espaço, ao olho, as sensações e paixões, as imagens, tudo isto que coincidade com ele, onde habito e também me perco, reconhecendo nele um deserto de mim, um cansaço de si. É devido a uma tal “inabitação”, imergido na sensação mesmo do reconhecimento e da contemplação de um mero fragmento da realidade, lá mesmo onde tudo pode faltar de intensidade e movimento, repentina se faz a combinação que, como um todo, me assola novamente: a vertigem me toma, meu corpo treme, sinto como se não mais tivesse lugar naquele olhar sereno e distrativo. Sinto medo de cair e, novamente, receio a altura, o lugar onde estou, o embaixo e o acima, meus sentidos apagam mergulhados em extremos de meu pensamento em queda…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
…como disse antes,
as sereias encantam com sua voz melodiosa
NAO TE DETENHAS NAQUELE LUGAR.

 

 

 

 

 

 

 

 

Triskelion Knot2

 

 

 

 
Cieli infiniti, vento in faccia (Infindo céu, vento em face)
Voglia di correre e non fermarsi mai (Voluta de correr e não mais adoecer-se[repousar-se])
Scrivere suonare e bailare(escrevendo sonhando e dançando)
E non fermarsi mai(e não mais adoecendo-SE)
Bruciare il proprio teatro(Queima seu próprio teatro)
Vestira il proprio teatro(Veste seu próprio teatro)
Ascoltara, lavorare a dormire(Pensara, trabalhava a dormir)
E nor fermarsi mai;(e não adoecia-se[repousava-se])
Guardarsi in giro (observava-se girando)
Sentirsi il mondo negli occhi (sentir-se o mundo em seu olho[panoptycon do nômade capital?])
Sentirsi piccino e adorare(sentir-se no cardumo e adorando)
E non fermarsi mai. (e Sem mais se enfermar[sem mais repousar])

Â…i silenzi, (Ah! O silêncio)
E foglie cadute e cadute (e folhas caem e caem)
A nubi bige a rimpiattino… (em nuvens convergem repentinamente)…

 

 

 

 

 

“uma” ordem do discurso (sobre a aceitação e a rejeição social através da prática empregada para a comunicação-linguagem):

sujeito-verbo-predicado
o sujeito, “eu sou”, “eu isso”, “eu aquilo”
o verbo, a ação do sujeito – sua afirmação, sua determinação ativa, sua implicação passiva – sua identidade material
o objeto atingido, o corpo – a modificação corpórea
predicado – a modificação incorpórea

 
Dito isso, a escrita torna o mesmícimo acontecimento causal em mil outros. Nela, reside a característica intrínseca da multiplicação divina. É ela, a escrita, que significa o ato a partir de seu desdobramento no mesmo instante em que acontece: é o duplo, a dobra, o falseamento do real, ao mesmo tempo em que é seu espelho, sua própria realidade oculta.

 

E para o que já foi dito, não me lembraria se fora escrito.

 

 

 

 

 

 

 

O truque de Desiderata
(coisas que se desejam).

 

 

 

 

 

 

 

O fumo choca,
cocha, embola o oco
chacoalha o topo,
desinterando os membros
permeando o lastro
corroendo o ventre

 

 

 

 

 

 

O objeto, ou melhor dizendo, a razão da história para o homem, em relação ao que ela pretende conhecer, é implacável. Diz-se isto porventura de ser os acontecimentos naturais à humanidade algo de impassíveis, privando-os de entender, de certa forma, as razões dos acontecimentos e principalmente, seus porvires. A incompreensão da história, por parte de seu próprio participante, demonstra um definitivo fracasso em tornar a história, da maneira como é vista pela nossa ciência contemporânea – iluminista, como uma realidade total perfeitamente conhecível – base para um conhecimento do homem, ou em outras palavras, fazer da história, aparentemente neutra, um campo de batalha, de tomada de posição, não a favor do poder, nem a favor dos fracos, mas principalmente da desconstrução de uma identidade, de desconstrução de uma subjetividade baseada no progresso e rupturas históricos, exatamente para a criação de um conhecimento para a vida, para além dos aconteciemntos históricos: recolher da morte os meios primordias de resistir em vida.
Falemos, então, da ausência de uma poética histórica, ou antes mesmo, de uma pensamento político-histórico sobre a História, pelo meio do qual o sujeito apercebe-se como um parte de um todo, ou de um todo fragmentário; é como um fragmento participante de uma engrenagem muito maior que ele que, de fato, percebe-se que não se conhece a história pela qual se é o que é, apesar de fazer-nos acreditar que esta seja algo de próprio e unificado, uma existência idealizada, falsificada.

 

 

 

 

 

 

Por que a reflexão que nos levaria a uma contemplação ativa da contemporaneidade nos custa, materialmente e psicologicamente, mais caro de se alcançar e trabalhar?
Sonhando, ao lembrar de que para ativar a consciência onírica poderia-se olhar para a sua própria mão, uma sonhadora contempla-a: ela era deformada, parecendo com uma borboleta, de onde esta visão não a espantou, mas se admirou ao perceber a si por ela mesma, por seu olhar de “monstro”.

 

 

 

 

O risco ou da impossibilidade de pensar/julgar o pensamento (leia em anexo o que sua expressão pode dizer sobre a práxis poética do impossível e impassível):

 

… Poesia…
… afazer de afasia…

Mariane do Nascimento
(habituar-se, adaptação, à abstenção consciente de qualquer
juízo originada pelo reconhecimento da ignorância
a respeito de tudo que transcenda as possibilidades cognitivas do ser humano)
Ou seria antes, a poesia antes de ser uma prática, é uma postura, um fazer nos seus dois ambitos (parteiro e escultural)… a contemplação ativa do mundo pela consciente captação de forças que permite a invenção de juízos que não se sobrepõem hierarquicamente como valores a serem seguidos, mas como forças a serem consideradas, imagens a serem percorridas…
A intersubjetividade da liberdade. Com minha investigação, contudo, não pretendo que eu seja reconhecido como um mestre, seguido nem idolatrado, muito menos que as pessoas dependam de minha presença; antes de mais nada, o único dever pelo qual devo empregar em minha investigação um âmbito universal é para que os homens despertem para sua autonomia, o direito natural intransferível, prevenindo-se que venham adquirir um senhor ou ídolo tirânico. Caso esta aspiração já fora dito por outra pessoa, devo a minha inspiração e minhas palavras a este belo ser que também se proclama livre.

 
As forças são tendenciosas. Ao exercer constantemente uma outra força oposta (estática ou móvel), tal resistência a seu movimento causa-lhe uma mudança de natureza de si enquanto movimento – isto é, a direção, a perspectiva ou caracterização patológica da potência e mesmo o caminho percorrido e a intensidade incendida, bem como o abrangência de seus efeitos, são alterados permanentemente. Isto nos levaria a pensar sobre o hábito -.
Muitas vezes queremos sobrepor a um estádio de percepção um outro estádio mais familiarizado, mais habituado; isto se deve a uma força espiritual que se detém numa imagem ideal de como se sentir, de como se identificar com o mundo. Exatamente por não conceber-se estes estádios que se demonstram fastidiosos – em uma época sim, em outra não – o evitamos, privando-nos de um tipo de captação do mundo e, por sua vez, um tipo de criação de força, de potencialização, a qual depende totalmente de como nos percebemos no exato instante de autoconsciência contemplativa do que nos atravessa.
Não prestamos atenção na atualização do corpo, no seu processo mesmo de ontogenese individual, onde toda uma gama de intensidades combatem na formação do que se pode ser. O corpo acontecendo, a Forma em si, ela nos é, de forma idealizada transmitida, concebida mediante um discurso alienante da potência e da força vital (espírito) após seu acontecimento. A consciência prende-se ao ideal e torna a atenção refém de um pensamento sempre adiante ou distante, promulgando o desejo num distúrbio ilusório de que esta sempre faltando, sempre ausente, causando a ansiedade por se realizar.
Há uma diferença qualitativa entre a sensação provinda dos sentidos e a sensação provinda do intelecto? Isto é, a <aesthesis> do homem é fragmentada e por isso merecedora de toda nossa desconfiança para conhecer-se através dela ou, pelo contrário, é a única condição, por meio da percepção, de conceber-se e perceber-se a totalidade de um corpo?

 

 

 

 

 

 

 

Mosaico, do lat.medv. musaicum, alt., por substituição do suf., do lat.cl. musivum (opus) ‘obra inspirada pelas musas’; p.ext. acp. ligadas à noção ‘conjunto de elementos justapostos ou variados’; ver mus(a)-; a datação é para a acp. de constr ‘pavimento composto’

a práxis bricolada do mosaico: uma poética da Escritura?

 

 

 

 

 

 

As vezes, estas forças que insistem contra a resistência da vida, após um longo período de conflito e pressão, passam a não mais serem percebidas pelo agente que sofre, tornando-se inconcientes seus fluxos, obliterando-se do processo histórico consciente dos mesmos.

 

 

 

 

 

 

 

linguagem e vida: “…programas de vida, sempre modificados à medida que se fazem,
traídos à medida que se aprofundam, como riachos que desfilam ou
canais que se distribuem para que corra um fluxo” (G. Deleuze)

 

 

 

 

 

 

Para definirmos um programa educacional para o pensamento histórico como um pensamento político, devemos partir não de uma apresentação do tempo como cíclico nem muito menos linear. Não devemos pensar o curso histórico como dialético, em suas ascenções e quedas de hegemonias, oposições arbitrárias sobre o que se contrapõe ao que, qual idéia retomará a hegemonia sobre a percepção. Deveríamos então, nem pensar o tempo como uma linha evolutiva de progresso, arbóreo, onde o anterior é suprimido pelo posterior em termos de alcance e importência para o crescimento.

Creio que veriamos partir não de um princípio histórico, mas de um paradoxo: começa-se a pensar o fluxo e as mudanças históricas, a própria ocorrência dos acontecimentos como processos simultâneos de razões muitas vezes contrárias.

Vamos pensar em um breve exemplo de uma análise:

Após a constituição e propagação do cristianismo durante a Idade Média como cultura hegemômica e detentora dos processos educacionais e reflexivos sobre a existência, a moral e a história, numa mesma época em que houve um recolhimento populacional e intelectual, muitas vezes denominado erroneamente como “idade das trevas”, onde ao mesmo tempo em que a Escolástica fundava sua lógica em nome da dominação teocrática, racionalmente espaldada pelos discursos filosóficos, muitos pensadores solitários e culturas obscurantistas, bem como cultos, ritos, discursos, meditações e experimentações próprias do ser humano foram exercidas, havendo um avanço em toda a mística da consciência.

Isto pode ter sido pano de fundo que ajudou a culminar no tipo de pensamento do início da modernidade, onde filosofias, totalmente com outra abordagem sobre o homem e o mundo foram desenvolvidas não para a dominação, mas para o autoconhecimento, encontrando na razão não um motivo para se sobrepujar o outro, mas para adquirir o conhecimento de autonomia para com o outro. No entanto, foi nesta mesma época que, miseráveis e debilitados, amplamente ignorantes sobre seu próprio mundo, Europeus, crendo-se haver libertado das amarras supersticiosas, embarcam na aventura de sua emancipação – emancipação esta que levou a escravização e a colonização de quase todo o mundo…

 

 

 

 

 

Como são frívolas as intensidades que nos apoderam por alguns momentos. Nos tornamos devassos para com nossas aspirações, revertendo toda uma fala para irromper um nobre flanco como disparo.

 

 
Consciência e Linguagem, a batalha de Nietzsche Para além do Bem e do Mal:

Talvez, esta “primeira pessoa” não deixa de ser o afrontamento a quem escreve, a quem (se) vê, a quem sente e pensa, a quem detem o poder de substrair-se do nome e imergir do anonimato a invadir o reino das coisas – bem, ela não deixa de ser a insistência proliferação com que aquele que aproxima-se da confluencia do indito com o indizível, confundindo-os. Risco, grau zero da escrita de si e do outro, assim, ela observa e não é a primeira, derradeiramente, a entoar seu canto orgulhosamente. Ela é somente a única a tornar-se outra para, misericordiosa, em vias de fato, acabar consigo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

…, o páthos da metáfora ou a metáfora do páthos -.

 

 

 

 

 

 

ouroboros31

 

 

 

 

 

 

 

 

A postura (o lugar) do hábito pode se tornar o único caminho para o prazer.
Estamos a um passo do vício, distanciando-nos da saúde.

Mas como o hábito pode se tornar um vicio?
Não é a repitação das práticas, dos modos de se efetuar ou agir, pelo qual um estádio vicioso se forma.
No entanto, é ao almejar sempre o mesmo fim, o mesmo objeto é que encarceramos o desejo.
De fato, há habitos que não são viciosos. Contudo, é ao limitar o objeto destes hábitos, capturamos nosso desejo de sentir prazer apenas através daquele “objeto”, fazendo o desejo passar sempre pelo mesmo caminho, estranhando e reagindo a todo outro impulso de prazer ou dor. Nossos juízos se tornam traiçoeiros.
Por exemplo, para se alcançar a justiça é preciso de hábito. Mas qual é o objeto da justiça se não a própria justiça? Não obstante, fazer justiça, ser justo, praticar ações justas não focam o mesmo objeto, isto é, não focam o mesmo alvo. A justiça foca ela própria, sua perfeição. Porém, a perfeição é algo que nunca é a mesma. Não queremos ser justos apenas em um caso ou outro. Quando agimos, habitualmente, em busca de sermos justos, não podemos focar nosso modo de agir em apenas um só objeto ou apenas em uma só finalidade. O fim é a justiça e é a perfeição. E esta é, todavia, algo sempre em mutação.

 

 
(Sobre o capital) A coisificação máxima da consciência através do objeto alucinatório que esteja presente em todo lugar, que intermedie qualquer troca ou ação, que seja visível e que seja almejável em vida.
Comunicações midiáticas para a tecnologia da dominação:

O discuro mitico-religioso.
O discurso ideológico-estadista.
O discurso economico-capitalista.

A evolução – o alcance da mensagem, o controle da multitude.

O curto-circuito moral dos discursos, das resistências. Mantendo-nos coisificados, estamos no escuro.

 

 

Os judeus já eram “perseguidos” pelos cristãos-católicos no século XII, sendo diferenciados por um patch amarelo com a estrela de David. Os alemães só repetiram a tecnologia? De fato, esta repetição das tecnologias do poder no decorrer da história foi recorrente. Após a segunda guerra, os Aliados, hipotéticos vencedores de uma disputa fundada pelo Triunfo do Poder sobre a vida, mantiveram a miséria e a neurose do povo e fizeram da Alemanha mais um Estado de Excessão com o mesmo fim que o Nazismo o havia produzido, só que de formas (ideais) diferentes, sucumbindo-os num processo de assimilação cultural ao seu, sistematicamente construindo um discurso alucinatório sobre a emancipação segundo determinadas leis arbitrárias. Anos mais tarde, os EUA, após a guerra do Iraque, apenas repetiram o sistema miserável de apropriação e descaso no país, instalando todo um aparato de corrupção nas instituições, aumentando ainda mais a raiva de homens contra homens.

 
O nome dado a seres humanos, agrupações, povos durante os tempos é uma classificação puramente etmológica. É preciso ver que estes próprios povos se intitulavam com uma designação própria de se língua e de seu habit, suas práticas, sua forma de sobrevivência. Estes nomes não são motivos de diferenças próprias da existência, no próprio princípio engenhoso do que é o ser humano – seu princípio de individuação. Todo o conhecimento relativo as culturas destes povos, sempre com um predicando nominal atado para designar as particulares práticas, não expõe, claramente, que é nesta própria invenção cultural é que se constitui o comum das existências do homem.

(…)

Não estaria na hora de que já seria imprudente não confabular sobre a noção evolutivo-mutacional da natureza dos seres, desde que estes são uma mutação perpétua de um princípio em movimento. Porventura, não seria, assim, um desleixo o porque de não imaginar que toda nossa história, nossos hábitos e acordos imaginário-morais de relação consigo e com o outro, as distintas culturas de intervir na natureza e, por que não, o próprio instinto do homem, que o assemelha tanto a outros seres, mas que por ele próprio, tem uma relação conflituosa com seu instinto, todo o fluxo de intervenção linguística não tenha um parentesco genético-espiritual com toda a própria lei oculta da natureza, tanto do cosmos com da fauna, a flora e o animal natural? Mesmo nos minérios, nos átomos, nas galáxias e nos vazios, nos sistemas pulsivos e autômatas infinitos que produzem o ser, não teríamos com eles a possibilidade de entrever um legado, uma tradição, um parentesco íntimo-expectoral e indissoluto de imanência com a ontogene do ser que convergiria justamente com a diferença da produção do homem, a história como o lugar e o não-lugar, o autosacrifício ético do homem, propondo-se toda esta conjetura para formar, de fato, a potência do que poderemos chamar de natureza, não sendo também, a própria energia que engendra a natureza humana?

 

 

“o ponto de apoio da subjetividade é o ponto de fuga da perspectiva;
resumir a vida ao seu grito primeiro”

 

 

 

 

Prelúdio à Tempestade

 

 

 

 
Prelúdio para uma problemática da História da Razão ou a Ignomínia Racional da Irracionalidade Produtiva:
Talvez sejamos uma das gerações que experimentarão uma mudança, na transição limite de dezrazoamento de um projeto civilizatório, em estado de curto-circuito moral e geopolítico, na forma de transposição de fronteiras psico-científicas e jurídicas, como a insurgeição de uma forma da transmissão de cultura, das tradições enquanto processo anticoncientizante da história e de devir incorruptível. Falemos mesmo de uma nova percepção do homem e deste, por sua vez, com o próprio ser, totalmente correspondente ao tempo desta contemporaneidade em velocidade de alteração em movimento de velocidade das transformações. A escrita de uma História enquanto a vitalidade do ser e lugar único da negatividade de puro movimento, onde a vida deixa de ser o que ela é para pertencer, de fato, a uma outra coisa. Tal coisa, a qual deferir nomes simbólicamente referidos, poderiam gerar o que toda uma geração de doutrinas histórico-religiosas abarcaram sobre a linguagem, ou do Signo do Movimento.

Quando a indeferença com que tratamos o chamado “o pós-modernismo” faz deste conceito de contemporaneidade, ou Idade do Tempo, não mais reinvidicar nada que não seja Gasto como de Vasto nas formas em que vivemos a vida, também perdemos a guerra para nós mesmos, enquanto aqueles que reinvidicam sua existência tão igualmente como outros. Abadicamos de nossa natureza, para tornar o homem tudo aquilo que ele sempre temeu por não conhcer. O inumano seria, nos sentido burlesco como que tratamos, ignorar a ilusão de que detém o poder sobre si e, por extensão, do mundo.

Após o pós-modernismo, se ao escrever desta maneira não nos torna redundantes, já necessitamos nos reduzir ou negar toda uma parte da experiência humana para continuarmos a existir enquanto humanidade e animal déspota de semelhantes e refém de sua loucura, precisamos já criar, pelo frissom e pela febre mesma do Projeto do Homem Total, toda uma nova Razão para engendrar as demais racionalidades, esculpindo linguagens para os corpos que precisam encaminhar a multiplicidade de sua ação num projeto alheio a sua potência. Tão somente algumas seis décadas após uma crise existencial da produção material para a vida do homem, concebemos um outro jeito de “compreender o tempo” – viver o tempo propriamente dito – e, desta forma, uma formação psico-social, nos termos de uma formação de caráter do sujeito tanto como a definição do mesmo, do autoreconhecimento e da postulação de tradições, sendo deste modo, uma trans-formação das transmissões e concepções do Conhecimento, dos modos e das formas como se vivem – idéias, percepções, corpos, desejos, um novo páthos tanto se engendra enquanto nova percepção da potência como instaura-se uma nova Razão para “dominar” a potência e exercer seu um fluxo normativo – e num processo de paradoxalismo de forças, emerge uma maneira totalmente invodadora da captação de potência como seu oposto e imanente movimento enquanto força de anulação e de poder.

Vindo “enigmaticamente” das <topofundezas> das transações imateriais, alquímicas e nervosas da individuação do ser em sua ontogenese, uma possibilidade sempre diferente na concepção de um conhecimento <novo> para o que se diz por <agora>: a insurgência do tempo sobre o tempo – não dependemos mas de seu movimento retilíneamente definido pela nossa razão de acordo mesmo com o que VEMOS de nossa atualização, mas ENTREVER que nesta atualização subsiste uma parte não efetuada que por sua vez é a reminiscência mesma do ínfimo e da totalidade do necessário e universal, o não-ser enquanto negatividade presente, este invisível e imperceptível se ignorado nas percepções das transformações, a ver, a produção de nossa atividade histórica. Não devemos a nada. Ela caminha para um fim que nega seu caminho mas que o enseja em si. Da evolução das coisas enquanto progreso ao um fim determinante de sua própria essência que é seu movimento, é uma desatenção ao que lhe faz falar e não calar: desleixo com a potência que sustém o devir e seu poder, mas não permite que este tome a direção de um movimento a seu bel-prazer. Percebamos a infâmia vernacular do homem quando permite-se negar sua existência perante a existência do outro. não há contradição mais mortal de que uma linguagem contra a vida.

Num entendimento <farmacopoético da linguagem da diferença na produção da vida>, a novidade do páthos está na possibilidade de não só captar ainda mais vivazmente a energia vital da multitude em pleno sistema de opressão desta energia, um sistema criado por nós mesmos. Mas como intuir uma expressão inaugural para o <ethos> humano – isto é, para a conjetura total das vidas e formas de vida não só do homem mas como de toda natureza, uma (outra) linguagem (material, semântica, quântica)? O <ôikos>, aqui caracterizado a partir do que Guattari quis mostrar, deste nosso Tempo que é, em outras palavras, um modo reitarador do (não) ser: (…)
Ato Único: a memória, a imaginação, a poesia, a perdição, o jogo, a fortuna, a educação em revolução.

 

 

 

 
Crítica a desistimulação causada pela “crença da positividade histórica” ou de um “niilismo moralizante” (cultura da má-consciência):

“A conseqüência niilista (a crença na ausência de valor) como decorrência da estimativa moral de valor: perdemos o gosto pelo egoístico (mesmo depois da compreensão da impossibilidade do não-egoístico); – perdemos o gosto pelo necessário (mesmo depois da compreensão da impossibilidade de um liberum arbitrium e de uma “liberdade inteligível”). Vemos que não alcançamos a esfera em que pusemos nossos valores – com isso a outra esfera, em que vivemos, de nenhum modo ainda ganhou em valor: ao contrário, estamos cansados, porque perdemos o estímulo principal. ‘Foi em vão até agora!’”. NIETZSCHE, O Niilismo, §8.
Só quer dizer que não há como voltar atrás. O que fazer por agora?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O brincar e o teatro do infante:
a voz de comando e de delírio, do que se faz através da ação de um unidade o diverso de si ser. A voz e a máscara, o olhar daquele que guerreia para subsistir na dor – para comer, para aprender, para educar.

 

 

 

 

 

 
De uma cultura, de uma linguagem ou de uma prática artística que recebe um nome e é determinada mediante regras de exercício ou uso justificados logicamente por aquele que iniciou o processo, pelos limites com o que se pode fazer a respeito da realidade com a qual se deparou para criar tal prática, os grandes revolucionários foram aqueles que souberam enxergar nas semelhanças e diferenças de uma prática à outra, com o uso de instrumentos e conceitos variados, e souberam convergir para uma na qual não se perde a inventividade da primeira racionalidade, mas abre a <capacidade intuitiva> de poder transitar entre uma e outra como que naturalmente, anulando a definição originária…

 

 

 

 

 

 

 

O homem é o único animal capaz de descaracterizar seu Canto, ou em outras palavras, o único a alterar seu Canto a um limiar de inumanidade (incomunicabilidade ou a dor prazerosa da transmissão).

 

 

 

 

 

 
“Escreve com sangue e aprenderás que o sangue é espírito”

 

(Zarathustra)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O PROCEDER DO FIO DA NAVALHA – ao percorrer seu sinuoso caminho, ninguém resta como indivíduo.

Autonomia das multiplicidades, potência da multitude.

 

 

 

 

 
Os vermes são os que detêm a técnica da fabricação do real, pelo próprio efeito de seu desgaste, construir um objeto fora de sua realidade contígua.

 

 

 

 

ki (energia)

 

 
Nascemos do que não é humano. Dos animais para os homens há um abismo sem fim.
Mas é a partir desta inumanidade que o homem deve se tornar o que é.

 

 

 

 

 

 

Não existe tratamento de si pelo outro. Apenas na alteridade é que nos torna dispostos a nos gerir e se enfrentar.

 

 

 

 

 

 

doença da mente dividida ou desordem de integração?

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